domingo, 23 de agosto de 2020

dead (wo)man walking

Num dia de escuridão


Um distante conhecido se torna amigo

Um amor compartilhado e há muito perdido

É parte do elo, e mesmo longínquos,

nos estendemos as mãos.


Nas visualizações inconfessáveis

Nas frustrações silenciadas

Nos ódios assemelhados

Do real que não nós cabe.



O eterno  Olhar o Outro

O intenso dolorir a si

O morrer a cada dia. 



Converso com um cadáver

Enquanto meus pedaços 

Caem pelo caminho.


Morrer a cada dia. 

(Viver morrendo aos poucos)
.
.
.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

A busca pelos prazeres breves
No hambúrguer suculento
Suas gorduras e açúcares.
No sexo tabu e melequento
Em sua abundância de fluidos.

A honestidade é sempre primal.

Entre a infinitas canções de perda
derrota
abandono
E medo.

Os saborosos paliativos mascaram
A caminhada dos (des)amores contínuos
E o fetiche da felicidade perene.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Eterno Retorno

O meu coração é um filho prodigo
Ele chega bêbado das aventuras embriagadas
Com a cara inchada e braços vazios.

Meu coração é um filho pródigo
Que retorna exausto e devastado
Depois de suas odisséias
[selvagens]

Meu coração é um agricultor faminto
Semeando uma terra infértil
Na estação errada.


domingo, 8 de novembro de 2015

Resquícios



Faltam palavras,
sobram desculpas,
sentimentos esgotados,
gritos contidos.


Falta paciência,
pra tantas fugas,
esquivas, deslizes.
Falta vida
Sobram rugas.


Os pretextos se alongam demais
As palavras destoam.
Não há perdão, capataz.


A prisão se revela á céu-aberto.
Os inimigos se revelam tão perto.
A rebelião não poupará incrédulos.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Quando eu mais preciso você some.
É como um demônio sem nome
que eu tento, em vão, invocar.

Nas reticências eternas
Monstros em enormes cavernas
que desistimos de matar.

sábado, 14 de maio de 2011


Amor de copos vazios,
de palavras não ditas.
De camas vazias
e coração cheio.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Não vivo mais pra escrever, nem escrevo pra viver.
Quando os acontecimentos vem pulando amarelinha
quem chega no céu sou eu.


;)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

TESSITURA DE PONTE ENTRE ABISMOS

"Há momentos, muitos momentos, em que este meu amor me parece apenas o non sense, o reinado do vazio, o reino-nada, o assentamento do absurdo, em suma, como diz o título: uma tessitura de ponte entre abismos."

Zuleika dos Reis
Já não me sufoco pelo desespero das escolhas.
O meu não é o meu sim.


"Eu gosto é do inacabado
O imperfeito, o estragado que dançou
O que dançou...
Eu quero mais erosão
Menos granito
Namorar o zero e o não
Escrever tudo o que desprezo
E desprezar tudo o que acredito"

O Que é Bonito - Lenine

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Imersa no silêncio das estrelas, observando o movimento da multidão que passa tão perto e tão longe.
O cheiro de chuva se intensifica. Ativo a máscara. Oi,oie. Tudo bem, tudo!
Volto pro meu mundo. Silêncio. Sem estrelas.

domingo, 10 de outubro de 2010

Falar o quê???
Que eu conheci uns caras legais, transei com alguns deles. Quis, por alguns momentos divertidos, acreditar.
Que eu consigo falar de você sem tremores na voz, como se fôssemos amigos antigos, que por sabe-se-lá que vontade insana do destino se afastaram.
Que Engenheiros ainda me lembram caminhadas pela L2.
Que eu nunca mais botei meus pés no Pontão.
Que eu ainda não entendo, eu nem sei se quero entender, tava na casa dos meus pais, deitada no sofá, aquela luz meio de sol já morrendo de cinco horas e veio você na cabeça, como uma marretada, e eu fiquei tão atordoada que quis rir.
E ri lagriminhas disfarçadas, afinal estava na sala, vai que aparece alguém, e foda-se fui chorar lá fora vendo o dia morrer, louca por um cigarro, vazia das minhas propostas de equilíbrio e bom senso.

Não, não digo. Pego meu vestido azul, acendo um cigarro e fecho a porta sem fazer barulho.
Não devo olhar pra trás.
Nem sei mais o que dói. Ausência. Meus amores ao relento. Meus sonhos que ignoro, relevo, analiso.
A causa do sofrimento é o desejo. Mas você sabe que a alma não pode voar o tempo todo. Tantos tombos, tantos saltos suicidas, tantos poentes.
E agora, nem o brigadeiro de panela, assim de camiseta-só, posso usar como distração.

Ás vezes a vida é simplesmente essa merda toda, tão caótica e sem nexo quanto nós mesmos.




Nunca satisfeita com o que escrevo. Muito menos com o que sou.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

"(...)Minha dor é velha
Como um frasco de essência cheio de pó.
Minha dor é inútil
Como uma gaiola numa terra onde não há aves
(...)
Por isso, não te importes com o que eu penso,
E muito embora o que eu te peça
Te pareça que não quer dizer nada,
Minha pobre criança tísica,
Dá-me das tuas rosas e dos teus lírios,
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também..
"

Alvaro de Campos, "Acordar".

terça-feira, 31 de agosto de 2010

"Nosso estranho amor", vitrola e lua minguante

Hoje quero só ser brisa, leve, suave, alvorecer. Todas as mentiras são sinceras e todos os amores são eternos.

Hoje podemos dormir abraçados, pode me dizer coisas clichê, vou rir. Vou gargalhar.
Hoje não ligo pros vizinhos. Abre a janela, acende um cigarro. Bota o Caetano pra rasgar nosso silêncio confortável. Toca minha música.

Some um pouco, pra ver se sinto sua falta. Falta de te irritar, de te saber.

"Me adoce. Até eu confessar."
Te mandar embora de manhã?
Vou pensar no seu caso.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Antes era época de desmantelar sonhos, de seguir reto, não ligar. Ouvir Radiohead às 6 da manhã fumando um cigarro e curtindo a neblina. Querendo respirar fumaça,não você.

E me partia entre ser eu ou Mulher de lata, gauche na vida.

"Ausência de sentimento não é maldade"

quinta-feira, 20 de maio de 2010

ciclos

“Sempre chega a hora de arrumar o armário”. De se despir dos delírios. De jogar bilhetes (azuis ou não com seus garranchos), coelhinhos e bilhetes de cinema no lixo. Junto com algumas lembranças. Queimei sua camisa, me tornei cética, idolatrei o cinismo. A lua mudou tanto. Os amargos se espalham pelas papilas, as marcas de cigarro mudam.

Agora não me pergunto mais o sentido das coisas, muito menos dessa forma esdrúxula a que nomeamos vida. Caminho duas vezes por semana, não como frituras, e tomo meu Lexotan todas as noites. “A entorpêcencia é uma benção.”

quarta-feira, 5 de maio de 2010

"heart shaped box"

Ensaio, rock′n′roll, xiboca... Vodka, chocolate e provocações. Anos de tesão reprimidos em respeito a namoros e á amizade em si.

Enquanto ele tomava banho ela assistia um desenho da Disney. Cansa de esperar e deita. Ele aparece, cabelos longos encharcando as costas. Nunca o tinha visto sem camisa. Infelizmente.

Nenhum dos dois disfarça mais. Pra quê? As onomatopéias do desenho abafando gemidos, ranger da cama, palavras sussurradas... Ele parece ignorar as pessoas na sala. Ele parece ignorar...

Violão e cigarros na calçada. Somos amigos, afinal. ♪

domingo, 2 de maio de 2010

Ah, e o que é mais uma noite sem dormir? Lá vem você desnudar tudo em mim, com se estivesse vestida de branco, embora só me veja em tons sombrios de carmim. Da dureza lapidada da sinceridade. Das nossas novas-velhas-esperanças-ilusões-vãs.  “Everyone knows I’m in over my head” Menos quem está sempre alheio a tudo isso. Doces, celulares, hotéis, a vista da torre. O que falta mesmo é seu calor na minha cama. E seus resmungos de manhã.

domingo, 21 de março de 2010

A Sinceridade não filosofa. Mas mente.

Entre meus anseios irrealizáveis, submerge a verdade que só dói por que vai lentamente corroendo a idéia fraca de que poderia ser por si mesma bela.

No fundo, eu quero mesmo é que você se foda.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

"Cada manhã é um vicio." Cada abrir de olhos, cada banho morno,cada praga, cada conversa pseudo-filosófica (talvez bem mais do que gostaríamos)...


Cada lapso, cada rouquidão, cada silêncio, cada grito.


Da sabotagem à busca infundada e definhante por uma suposta  redenção dos pecados que me deliciei em cometer.


Tudo faz parte do meu vício.
Te contar?
Não revelei nem pra mim mesma...


"I do lots of good - surprised at what you would
Don't call me no crud - I really think I'm good
Yeah you think you're something but you're no good for me"






"In the end everyone ends up alone"