domingo, 10 de outubro de 2010

Falar o quê???
Que eu conheci uns caras legais, transei com alguns deles. Quis, por alguns momentos divertidos, acreditar.
Que eu consigo falar de você sem tremores na voz, como se fôssemos amigos antigos, que por sabe-se-lá que vontade insana do destino se afastaram.
Que Engenheiros ainda me lembram caminhadas pela L2.
Que eu nunca mais botei meus pés no Pontão.
Que eu ainda não entendo, eu nem sei se quero entender, tava na casa dos meus pais, deitada no sofá, aquela luz meio de sol já morrendo de cinco horas e veio você na cabeça, como uma marretada, e eu fiquei tão atordoada que quis rir.
E ri lagriminhas disfarçadas, afinal estava na sala, vai que aparece alguém, e foda-se fui chorar lá fora vendo o dia morrer, louca por um cigarro, vazia das minhas propostas de equilíbrio e bom senso.

Não, não digo. Pego meu vestido azul, acendo um cigarro e fecho a porta sem fazer barulho.
Não devo olhar pra trás.
Nem sei mais o que dói. Ausência. Meus amores ao relento. Meus sonhos que ignoro, relevo, analiso.
A causa do sofrimento é o desejo. Mas você sabe que a alma não pode voar o tempo todo. Tantos tombos, tantos saltos suicidas, tantos poentes.
E agora, nem o brigadeiro de panela, assim de camiseta-só, posso usar como distração.

Ás vezes a vida é simplesmente essa merda toda, tão caótica e sem nexo quanto nós mesmos.




Nunca satisfeita com o que escrevo. Muito menos com o que sou.