quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Christmas eve.. Hateful

Calo Billie Holliday e visto um casaco. Acho aquele último cigarro já pensando em como vou te contar que fumei. Queria fumar lá fora. Na escuridão. Minha tristeza é sal e fumaça. O vinho nacional barato fazendo efeito. Não sei, bêbada sou mais realista. Não, o álcool é minha desculpa pra encarar. Escuridão eu, escuridão noite, escuridão Black. Trago de novo. Sei que faço disto um paliativo, mas não ameniza as dores nem esvaece lembranças. Mais como um Ayahuasca,que me obriga a lidar com verdades.


Penso no teu pai (imagino um cachimbo e uma cuia), no meu irmão.
Vejo um anjo de três faces: irmão, você e a oculta. Talvez a mistura do sublime das anteriores.

Sopro pela janela. "Porra, amanhã vou ter que lavar essas toalhas de novo.". Toalhas não-minhas, casa não-minha, onde nem posso ter a dor respeitável das noites insones. Do cansaço mudo. Lembro do olhar que não desvia do meu mesmo quando este teima em se inundar.


Eu já sei as respostas, ou me engano que sei. Apago a guimba. Sal seco na cara. Quando for visitar sua tia, já pensou no que vai dizer? Fecho tudo, sem luz. Sinto a madrugada estéril. Eu que a faço assim.


Precisava doutro cigarro...

"Cursing the  naked sky
you should be here tonight"


sábado, 19 de dezembro de 2009

Do estado (quase) letárgico






Hoje eu simplesmente não estou  fim. Nem de levantar, comer, ligar para amigos, ficar  ocupada no messenger ouvindo Johnny Cash,nem de ler os outros solitários nessa busca cega por uma felicidade doce como aquele pudim que se come quando criança num domingo á tarde.

Mas faço. Cumpro, do meu jeito mal-cumprido, pseudo anárquico, essas banalidades que "esperam" de mim. Do papel que represento. Nossa, tomar um analgésico e dormir o dia inteiro... Acordar ás 3,ler duas páginas de Nietzsche, me desesperançar um pouco mais e vagar, zumbizar, deixar a TV ligada sem som, o brilho débil da tela iluminando minha solidão, minha falta.

Ignorar tudo que acontece, sobreviver a base de miojo e Coca, não desperdiçar nenhum minuto do meu sofrimento, não minimizar minha dor, não dar sorriso pra ninguém, nem julgá-los dignos do meu "foda-se".

Que vão para o quinto dos infernos os vestidos amarelos, as caminhadas no parque, músicas natalinas e a paz na terra!

Hoje não estou a fim.




Não ouse pensar que é por você, soberbo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Minimizando o esplendor



Teu suor. Como
Orvalho, revive a
mata cansada.






quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O Solitário




Não: uma torre se erguerá do fundo
do coração e eu estarei à borda:
onde não há mais nada, ainda acorda
o indizível, a dor, de novo o mundo.



Ainda uma coisa, só, no imenso mar
das coisas, e uma luz depois do escuro,
um rosto extremo do desejo obscuro
exilado em um nunca-apaziguar,



ainda um rosto de pedra, que só sente
a gravidade interna, de tão denso:
as distâncias que o extinguem lentamente

tornam seu júbilo ainda mais intenso.
Rainer Maria Rilke
(Tradução: Augusto de Campos)


* Me sinto muda... Divulgando admirações.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

HAI KAI




arco-íris no céu.
está sorrindo o menino
que há pouco chorou




Helena Kolody

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Meus caros lamento.
Estou  com muito sono/mto feliz pra produzir  qualquer coisa diferente das melosidades anteriores ou algo mais criativo.
Fico velha e feliz, percebendo que oxido, mas não morro. Renasço.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Leituras


" A esfinge que sorri."


Um momento. Uma frase. Um céu plúmbeo.
Duas almas ou fragmentos de uma?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

doçuras

AI, cu-caralho-porra-de-merda-desgraça-maldita!

(...) Suspiro.

Me sinto livre.

domingo, 8 de novembro de 2009

Falei brincando, como sempre, as minhas verdades. "Se você quer viver á base de ilusões, me avise antes." Tão tragi-cômico, frases de efeito em momentos banais.
E me veio a lembrança:

" É preferível a angústia da busca á paz da acomodação"
Desconhecido

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

*Prenda Minha*



Por mais taciturna que fosse
Parei de estudar e escutei.
Sotaque gaúcho, voz doce.
Uma guerra inútil, mas lutei.

Entrei nos esforços conscientes.
Minha "doce ironia", fui má.
Manobras tão ineficientes
se já me revelo no poema.

Disfarço,me envolvo em desvelos.
Tantas tolices, coisas banais.
Tentas entender o porquê do meu zelo.
Entendes, e eu te quero mais.

Afogo-me nos olhos de mar.
Nem de ressaca, bravios ou mansos
Sei que em vão persisto em decifrar
Não consigo, por isso, não canso.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

H2O

 Aquela maldita dor, me impedia, achava eu. Minha saudade misturada com antiinflamatórios e analgésicos criava uma aura amarela, amarelo dum tom infantil tão claro. Eu via luz em você.

Teu sorriso de menino cedendo lugar a um olhar de cobiça. Ainda não sei qual dos dois gosto mais.  Quero,  sem querer. Me engano, mas é irrelevante. Já disse,me sabes.

Meu corpo treme, o seu, pulsa. O cheiro doce amadeirado do perfume se mistura ao seu. Rio,lembrando que você não acredita nas minhas percepções de apaixonada. Divago, lembro duma pesquisa que comparava os efeitos da cocaína ao que sinto agora. Efeitos no cérebro. Que cérebro? Sou toda unhas, dentes, coxas, boca, língua e taquicardia. Minha cocaína. Rio.

A água traz uma sensação de familiaridade que é desconcertante. Quero morrer, quero acabar. Não, não quero! Quer flutuar, quero pular, seja numa cachoeira ou  nos seus braços, se possível nos dois. Háhá! Quero sentir o prazer fluido, quero acordar vizinhos, que chamem a polícia. Foda-se! Essa sensação de infinito, quase me faz acreditar em deus. Quase.

Por quê eu sentia dor?

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Minha pele, meu amor



Indignada. Simplesmente. Acho ridículo em pleno século XXI, na suposta Pós-modernidade (nomenclatura hipócrita) pessosas ainda te julgarem não só pela cor da pele, mas também por existirem imagens nela.
Símbolos, no meu caso. Longos meses de pesquisa até achar aquilo que representa melhor meus ideais. Não satisfeita em ser  preta,pobre e atéia,resolvi aumentar o estigma e fazer uma tattoo. Atualmente são 3. Um piercing na língua danifica ainda mais minha imagem na nossa ( democrática? - faz-me rir) sociedade.

"É tão feio mulher toda tatuada..." ANH??? Feio em mulher, em homem não, em homens é sinal de força, de tolerância á dor, de coragem. Talvez pela habilidade feiminina adquirida de suportar os outros, que tende a gerar compreensão..


Se fossem comentários de pessoas duma faixa etária bem maior que a minha, entenderia, afinal, eram outros os padrões. Escutei inúmeras vezes que "nem a terra comeria"  os  locais tatuados. Conto:  40-3=37, 37-3= 34... Respiro fundo e abstraio. Mas quando escuto isso dum tacho de  gente, me preocupa. O direito de tratar meu corpo como bem entender é constantemente  ameaçado em nome "dos bons costumes".
Pois bem, as imagens no meu corpo afetaram de tal forma meu caráter... Meu mórbido prazer em surrar criancinhas e minha ganância inconsequente vieram após o período de cicatrização.

Os símbolos que tenho no corpo:
* Lótus
"Uma das flores mais belas nasce em meio à lama, inspirando um caminho de purificação e de transcendência em relação a tudo que é considerado impuro no mundo."

- Quanta crueldade,não?

*Sol e Lua


  Uma das formas de representar o yin yang... "O diagrama do Taiji simboliza a Harmonia, Equilíbrio das forças da natureza, mente e corpo integrados num movimento contínuo de geração mútua representam a interação destas forças."


-Para lembrar do meu descontrole e extremismo...




* Borboleta (Essa, sem fotos, lamento...)
"O termo grego psyche tinha originalmente dois significados.O primeiro deles é ‘alma’, a mais profunda fonte de vida no homem. O segundo era borboleta, que simbolizava o espírito imortal. Na mitologia grega a personificação da alma (Psiquê) era geralmente representada por uma figura feminina, mais menina do que mulher, com asas de borboleta. As crenças gregas populares concebiam a alma como uma borboleta, quando o espírito se desgarrava de um corpo, ele tomava a forma de uma borboleta.
Portanto na simbologia "borboleta" significa: transformação, alma, libertação, sorte e sensualidade.


"Preconceito é um juízo preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou "estranhos". Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém, ou de um grupo social, ao que lhe é diferente.
De modo geral, o ponto de partida do preconceito é uma generalização superficial, chamada estereótipo.
Observa-se então que, pela superficialidade ou pela estereotipia, o preconceito é um erro. Entretanto, trata-se de um erro que faz parte do domínio da crença, não do conhecimento, ou seja ele tem uma base irracional e por isso escapa a qualquer questionamento fundamentado num argumento ou raciocínio." (Wikipédia mesmo!)







sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Sem palavras - Movéis Coloniais de Acaju

"(...)
Seria tudo muito melhor
Se a música falasse por si só
Dá raiva da vida
Nada existe sem classificar

Penso, tento
Achar palavra pro meu sentimento
Tanto é pouco ou nada diz
Não é triste nem feliz

Mesmo sendo um pranto, um choro ou qualquer lamento
Nada importa, tanto faz
Se é pra sempre ou nunca mais

Pensei em mil palavras, enfim
Nenhuma das palavras coube em mim
Não vejo saída,como vou dizer sem me calar?

Diria mudo tudo que faz
Minha vida andar de frente para trás
Uma frase perdida
Num discurso feito de olhar
ai, não me olhe assim...
(...)"

Desde a 1ª vez que ouvi essa música ela me encanta. É, estranho uma estudante de Comunicação não acreditar na capacidade das palavras. Eu acredito, mas para outros fins. As palavras não tem me sublimado recentemente. E o meu silêncio-escudo tem tornado algumas feridas maiores do que (talvez) deveriam ser.
A proteção se tornou defeito e o vício se tornou vital.

*Desculpem, estou apaixonada. E paixão pra mim, precisa ser do tipo que consome.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

G.





Diga que anseia
Diga que almeja
Diga que sim



Pinte meus dias
Colora minha vida
Em tons de carmim



Diga que queres
entre mil mulheres
Morrer só em mim



Deseje que a noite
Nosso doce açoite
Não chegue no fim


Eu que espero
Eu que desejo
Mas digo que não


Guri tristonho
Realize teu sonho
Me **** no chão!



Me vieram uns 4 verbos pro que não foi dito... à imaginação...

foto de autor desconhecido