quarta-feira, 4 de novembro de 2009

H2O

 Aquela maldita dor, me impedia, achava eu. Minha saudade misturada com antiinflamatórios e analgésicos criava uma aura amarela, amarelo dum tom infantil tão claro. Eu via luz em você.

Teu sorriso de menino cedendo lugar a um olhar de cobiça. Ainda não sei qual dos dois gosto mais.  Quero,  sem querer. Me engano, mas é irrelevante. Já disse,me sabes.

Meu corpo treme, o seu, pulsa. O cheiro doce amadeirado do perfume se mistura ao seu. Rio,lembrando que você não acredita nas minhas percepções de apaixonada. Divago, lembro duma pesquisa que comparava os efeitos da cocaína ao que sinto agora. Efeitos no cérebro. Que cérebro? Sou toda unhas, dentes, coxas, boca, língua e taquicardia. Minha cocaína. Rio.

A água traz uma sensação de familiaridade que é desconcertante. Quero morrer, quero acabar. Não, não quero! Quer flutuar, quero pular, seja numa cachoeira ou  nos seus braços, se possível nos dois. Háhá! Quero sentir o prazer fluido, quero acordar vizinhos, que chamem a polícia. Foda-se! Essa sensação de infinito, quase me faz acreditar em deus. Quase.

Por quê eu sentia dor?

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